É importante lembrar que com o fim da segunda guerra, a produção de petróleo cresceu e os preços ficaram estáveis até o final da década de 60, quando o preço do petróleo começou a sofrer pressão da Organização dos Paises Exportadores de petróleo (OPEP). Com o fim da guerra árabe-israelence o mundo se assusta com a cotação do barril de petróleo, que em 1973 passa de US$ 2 para US$ 11, todo esse cenário levou a uma corrida para novas fontes de energias alternativas renovável, para substituir os combustíveis fósseis.
O Proálcool (Programa Nacional do Álcool) teve inicio em 14 de Novembro de 1975 no governo Geisel, com o decreto nº 76593, e tinha como objetivo incentivar a produção de álcool de qualquer insumo, através do aumento da oferta de matérias-primas, visando o aumento da produção agrícola, bem como a ampliação, modernização e instalação de novas unidades produtoras e armazenadoras. A primeira fase do programa seria adicionar álcool anidro á gasolina com o objetivo de diminuir a importação de petróleo. O governo investiu no programa 7 bilhões de dólares até 1989 em subsídios, pesquisas entre outros. A Petrobrás ficou com a responsabilidade de compra de toda a produção, transporte, armazenamento, distribuição e a mistura do álcool a gasolina.
O Brasil foi o país que mais se destacou na busca do álcool como combustível renovável, seguido pelo Estados Unidos e Paraguai porem em pequena escala. É importante destacar o empenho do governo em incentivos a pesquisas tecnológicas para que o álcool substituísse os derivados de petróleo, como a nafta. O proálcool começou bem, pois a safra 1977-1978 teve um crescimento, de 664 mil de m3 para 1,5 milhões de m3, chegando 13 milhões m3 na safra de 1987-1988, sendo que em 1986 já contava com 567 destilarias com capacidade de produção de 16 milhões de m3.
O Brasil estava no caminho certo, pois já em 1978 dava inicio a exportação de álcool para o Japão e EUA e o Proálcool ganhava força, pois os conflitos no Oriente Médio em 1979 faz com que o petróleo alcance a casa dos US$ 60. Como o Brasil vinha galgando a sua auto-suficiência em petróleo, pois alem da Petrobrás aumentar a sua produção de petróleo o Proálcool já era uma realidade e cada vez mais nós dependíamos menos da importação de petróleo.
Em 19 de setembro de 1979 o Governo e a ANFAVEA assinam protocolo no qual os fabricantes de automóveis deveriam buscar novas tecnologias para produção em série de veículos a álcool hidratado. O preço do álcool hidratado foi fixado em 64.5% do preço da gasolina, também foi reduzido o IPI para os carros movidos a álcool.
As indústrias automotivas receberam incentivos para a produção de carros movidos a álcool e acesso a toda tecnologia desenvolvida pelas estatais, envolvida com o programa Proálcool, os consumidores aderiram ao novo combustível, porém alguns problemas de corrosão e partida deixou os consumidores com receio do novo combustível, estes problemas foram resolvidos em 1981. A indústria automotiva continuou apostando no programa pensando no aquecimento do mercado e investiu no aperfeiçoamento dos motores movidos a álcool. No Brasil de todo o álcool produzido na década de 80 aproximadamente 85% eram destinados a fins combustíveis, distribuindo-se entre anidro para mistura com gasolina e hidratado para veículos com motor especialmente desenvolvido para esse combustível.
Em 1985 o governo brasileiro comemora o balanço do Proálcool: com mais de 1 milhão de empregos diretos e indiretos e com uma safra de onze bilhões de litros. Os benefícios não param por ai, tanto os carros movido a álcool hidratado como os com a mistura gasolina com álcool anidro, presenteia o meio ambiente com menos poluição. Estava tudo cainhando bem até que o preço do petróleo se estabiliza e começa a declinar, então o governo se vê obrigado a bancar a diferença chegando a ponto de aumentar o preço da gasolina e diesel para repassar para o álcool.
Em 1986 a produção de carro álcool chega a 95% de sua produção total e a produção do álcool carburante esta no seu limite com 12 bilhões de litros de álcool e não tem condições de suprir toda a demanda, mas se arrasta até o inicio da década de 90, importando o álcool para abastecer a nossa frota que já estava estimada em quatro milhões de veículos.
Em 1988 a produção anual de carros a álcool estava em 63% da produção total, caindo para 47% em 1989 e a partir daí a produção cai próximo de 0% até 2001. A queda do consumo de álcool hidratado, foi compensada com o aumento do álcool anidro que era misturada à gasolina com o aumento da frota. O Conselho Interministerial de Açúcar e Álcool - (CIMA) é o órgão responsável pelo controle da porcentagem de álcool adicionada à gasolina, a qual deveria conter de 20 a 24% de álcool anidro com tolerância de 1% para mais ou menos.
Com a lei de 1994 de proteção ao meio ambiente, a qual determinava 22% de Álcool a gasolina, com essa medida o déficit atingiu um bilhão de litros de álcool. O programa Proálcool esta no ponto de entrar em colapso então o governo federal resolve incentivar, porem as montadoras já haviam reduzido a produção de carro a álcool por conta do desabastecimento e os usineiros endividados começaram a produzir açúcar que era mais rentável. Devido à dificuldade de abastecimento, o consumidor de carro a álcool voltou para os carros movido a gasolina, para resolver o problema dos usineiros, o setor estava cobrando do governo um combustível único com maior porcentagem de álcool a gasolina.
No final da década de 80, os EUA, Japão e Europa desenvolveram uma nova tecnologia, flex fuels na qual o motor tem sensores que reconhecem os teores da mistura e ajustam automaticamente a operação do motor para as condições mais favoráveis ao seu uso. Em março de 2003, as montadoras iniciaram a produção de motores flex movidos com etanol hidratado, gasolina ou com qualquer mistura desses combustíveis.
Como vimos até agora o proálcool enfrentou grandes desafios, mas podemos afirmar que foram superados, com certeza outros desafios virão e deverão ser tratados com muita responsabilidade por todos os envolvidos no processo, pois o Brasil saiu na frente no desenvolvendo de novas tecnologias, para a utilização de uma energia limpa e renovável de fontes como a biomassa da cana-de-açúcar e outros vegetais, para que se transforme em um dos principais energéticos do século 21.