Nos dias que antecediam o Natal de 1998 eu recebi um convite para ir à igreja Sagrada Família em São Caetano, para ver uma cantata de Natal.
Preparei-me para encontrar o maestro Roberto Manzo, regente do coral da referida igreja, por quem sempre tive grande admiração.
Chegamos, a cantata estava nos seus acordes iniciais. Perdemos as palavras do apresentador do grupo e do programa. Não havia folheto. Estava muito lindo e organizado. O som, uma maravilha.
Mesmo assim dava para perceber imediatamente que não se tratava do coral do Manzo, e mais: comentei baixinho com a amiga que estava a meu lado:
- este coral é evangélico;
ao que me respondeu: - em uma igreja católica? Você está viajando!
Foi maravilhoso! Choramos várias vezes de emoção.
Ao término, curiosos fomos ter com o pessoal do Prisma Brasil, (era este o nome do grupo,) e entre elogios perguntamos de onde eram, ao que nos responderam: - da igreja metodista de Campinas.
Compramos dois cds e ficamos felizes e admirados com a iniciativa da igreja e do coral.
E eu comecei a aprender na prática o que meu coração já acreditava. Cristo é acima dos rótulos das igrejas.
Fiquei muito feliz por ver que as vibrações que fazíamos nas reuniões espíritas, pela união das religiões e filosofias em torno do Cristo, estavam tendo resultado.
Em agosto de 2005 fui convidado para trabalhar o coral da igreja de Santo Antônio, no bairro do mesmo nome em Santo André.
Logo depois, uma casa espírita que freqüentava na mesma cidade, onde fazia em média uma palestra por mês, parou de me escalar, sem nenhum aviso, advertência, ou justificativa. Quando eu perguntei por quê, ninguém sabia. Estranho!...Sou levado a crer que o motivo deve ser por que eu estou trabalhando numa igreja católica, e adorando o meu trabalho. Depois de muita insistência para compreender, parei de freqüentar a casa.
Vejo, em várias casas espíritas, comentários duros e absurdos sobre outras religiões, demonstrando total desconhecimento delas. Alguns espíritas contra-argumentam comigo dizendo: eles também falam de nós.
E eu não sei qual das coisas é pior, se a crítica ou a justificativa.
Agora fico triste por que percebo que as pessoas que diziam vibrar pela união das religiões, talvez o fizessem para que fosse em torno do espiritismo, e não em torno do Cristo.
Há muito por fazer: cuidar de nossas crianças, da integração entre nossas famílias e do respeito às nossas casas de orações como os católicos;
dos nossos jovens, do respeito à alegria, do louvor e da responsabilidade de nossos oradores como os evangélicos.
Do respeito, amizade, diálogo, carinho e amor para com os que seguem outras doutrinas, como sonhou o cardeal d. Helder Câmara e muito mais!
Sei que isto é responsabilidade de todos os cristãos, porém, creio que por tudo que aprendemos, a iniciativa deveria ser nossa.
Acima de tudo, com ética e cidadania, como sugere Ermance Dufaux
Com carinho e respeito, como exemplificou Chico Xavier.
Com inteligência e sabedoria como ensinou André Luís.
Com humildade e ação na caridade verdadeira, como fez Bezerra de Meneses.
Com a firme doçura e a coragem responsável de Eurípedes Barsanulfo.
Com amor e instrução como pediu Kardec.
Por um só rebanho e um só pastor, como fez Jesus.
Ainda há muito que dizer e bons casos a contar. Mas se houver oportunidade, farei em outra ocasião, para não me alongar muito.
Por hora, para terminar, eu vou parafrasear John Lennon:
”Você poderá dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único!”
Sei que muita gente pensa como eu. E... tenho certeza!!
Jesus também sonhava assim!!
Autor: Chico Santana