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   Espiritismo :: Artigos

 
 
ALTERIDADE
11/12/2009
 
Escrito por:
Eugenivaldo Silva Fort
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Etapas da Alteridade

“Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais.”

O Livro dos Espíritos – Questão 804

Alteridade, uma palavra que merece atenção nos programas de educação e melhora à luz do Espiritismo humanitário.

Consideremo-la como sendo a singularidade alheia, o distinto, aquilo que é “outro”, a diferença que marca a personalidade de nosso próximo.

Nas abordagens filosóficas a alteridade tem conotações de rara beleza e profundidade demonstrando a importância da diversidade humana. Entretanto, interessa-nos mais de perto, seu enfoque ético na convivência.

O trato humano com a diferença, da qual o outro é portador, tem sido motivo para variados graus de conflitos e adversidades. Inclusive entre os seareiros da causa espírita observa-se o desafio que constitui estabelecer uma relação harmoniosa e fraterna, quando se trata de alguém que não pensa igual ou que foge aos convencionais padrões de ação e pensamento, perante as tarefas promovidas nos círculos doutrinários.

Freqüentemente, a dificuldade em manter a fraternidade com as diferenças e os diferentes tem ocasionado um lamentável fenômeno comportamental na sociedade; a indiferença. A indiferença é a negação da diferença; o outro não faz diferença nenhuma, é um bloqueio deliberado ou inconsciente ao distinto, àquilo que não é o “eu”. Não havendo disposição ou mesmo possibilidade de compatibilidade entre aptidões ou no terreno do entendimento, adota-se a exclusão afetiva como suposta solução para os embates do relacionamento. Leves agastamentos e decepções arrefecem as expectativas e a s frágeis amizades levando muito facilmente a criaturas à mágoa e mesmo ao revanchismo.

Conviver é, de fato, um desafio. A humanidade terrena, nesse início do terceiro milênio, começa a se preocupar em delinear nos seus projetos educacionais a habilidade de “aprender a conviver” como um dos quatro magistrais pilares para todos os conteúdos das escolas do mundo. Muito relevante essa medida, tomando por base que esse será o milênio do homem interior, em contraposição aos últimos mil anos que fundamentaram a era do homem exterior, o homem das conquistas para fora, sendo agora o momento das conquistas e vitórias íntimas: a era do amor falado, sentido e aplicado.

A indiferença provoca uma quase total ausência de solidariedade nas relações entre os homens. O egoísmo é o responsável por essa calamidade da vida humana, levando ao “esfriamento da sensibilidade” ante tanto desrespeito e violência.

Compreender as etapas da alteridade nos mecanismo afetivos, sob o prisma do progresso espiritual, é fundamental para procedermos a uma auto-avaliação de nossa posição íntima.

Delineemos essas etapas do crescimento moral e espiritual em três: primeiro o desejo de melhora, posteriormente a interiorização e finalmente a transformação. Em cada uma dessas vivências dilata-se a consciência para uma concepção mais apurada daqueles que jornadeiam conosco no carreiro das experiências de cada instante. Em cada uma, a singularidade “daquele que é outro” toma uma conotação de conformidade com a maturidade afetiva e moral de cada um.

Antes de assinalarmos as características pertinentes a cada passo, deixemos claro que todo processo de mudança interior obedece a esse espírito de seqüência natural. Sem desejo de melhora não existe motivação para quaisquer empreendimentos de renovação. Sem a etapa da interiorização não se deflagra o conhecimento fidedigno do trabalho a ser efetuado na intimidade de si mesmo. E a transformação é o resultado e o objetivo para o qual todos caminhamos na evolução. Esse dinamismo interior é processual e ninguém estagia em uma ou outra etapa separadamente. No entanto, para efeitos didáticos, analisemos o que costuma suceder-se na vida afetiva ao longo dessa caminhada, dentro da relação eu e o outro, para quantos tomam contato com as luzes do Espiritismo:

Desejo de melhora – período em que nos ocupamos pelas ações no bem. Etapa marcada pelo conhecimento espiritual criando conflitos íntimos , impulsionando novos posicionamentos. A necessidade de mudança será proporcional ao nível de maturidade de cada criatura. Nessa fase o outro ainda é uma referência de incômodo, disputa e ameaça, quase um adversário para quem são dirigidas cobranças não suportáveis a si mesmo. Tal estado psicológico instiga o julgamento inflexível através da análise para fora. O principal traço afetivo e a simpatia pelos iguais, aqueles que pensam conforme pensamos, que esposam pontos de vista idênticos. Embora seja um instante de muita “convulsão” nas metas e propósitos de vida, é quando o homem se define por uma nova opção de melhora com base na vida futura, na imortalidade e na ascensão. O convite ético do Espiritismo chega-lhe como consolo e também um abalo nas convicções. Mesmo o próximo não sendo ainda respeitado na sua diferença, trata-se do início da morte da indiferença. Apesar de não aceitar os diferente, já se incomoda com eles, querendo modificá-los: um efetivo sinal de mutação na forma de sentir. Afetivamente não é uma postura ajustada, mas é uma estrada que se abre para superar a tendência de marginalização e impulso para repensarmos a nossa individualidade, até alcançarmos a interiorização.

Interiorização - se na fase anterior a prioridade era a ação, aqui o aprendiz das questões do espírito volta-se para estudar suas reações íntimas. O conhecimento sai da esfera puramente intelectiva para o campo das reflexões sentidas, motivando a busca de estados mentais de harmonia. O “outro” promove-se à condição de espelho das necessidades de nosso aperfeiçoamento, uma extensão de nós próprios que deflagra o processo educativo; afetivamente toma a conotação daquele que nos leva a novos e mais elevados sentimentos. Esse é o estado psicológico da busca de entendimento e do autoconhecimento, uma análise para dentro. Há uma dilatação da sensibilidade para com a diferença alheia, seguida de mais intensa aceitação, disposição para o perdão e a concórdia. Começa-se assim a compreensão da importância que tem a diversidade de aptidões. O desigual passa a ser visto como alguém importante para o nosso crescimento pessoal. A maleabilidade, a assertividade, a empatia e outras habilidades emocionais passam a ser usadas com mais intensidade. Todas essas posturas sedimentam valores novos no rumo da transformação.

Transformação – os valores interiorizados atingem o campo dos sentimentos, é a mudança real. O outro é alteridade, distinção; é o estado psicológico do amor em que a diferença do outro passa a ser incondicionalmente aprovada e, mais que isso, compreendida com indispensável lição de complementaridade. Nessa etapa aprende-se não só a aceitar os diferentes como se consegue aprender com eles, amá-los na sua maneira de ser. É a etapa da felicidade. O outro jamais poderá ser motivo para decepções e mágoas. Ainda que as tenhamos saberemos como lidar bem com essas emoções. A autonomia e a liberdade não permitem amarras e dependência, opressão e sentimentalismo. Aprende-se o auto-amor e por conseqüência ama-se sem sofrimento, sem sacrifícios; ama-se porque o amor é preenchedor e isso, definitivamente, basta.

Jesus na Parábola do Semeador, quando fala dos vários terrenos em que foram distribuídas as sementes, deixa-nos um tratado sobre a alteridade e suas etapas. Os solos da narrativa correspondem aos níveis evolutivos em que cada qual dará frutos, conforme suas possibilidades.

O aprendizado da reforma íntima, inevitavelmente, percorre esses degraus de aprimoramento. A análise sincera dos sentimentos que se movimentam na esfera dos corações nessa marcha de crescimento nos permitirá proceder ao conhecimento de si próprio com mais êxito.

Não esqueçamos, em nosso favor, que em qualquer tempo e lugar, diferenças não são defeitos, os diferentes necessariamente não são oponentes, e a indiferença é o recolhimento egoísta do afeto na escura masmorra do desamor. Nossa harmonia é construída no cultivo das virtudes da indulgência, da fraternidade e do acolhimento.

Ação, reação, transformação: caminhos da alteridade.

Morte da indiferença, autoconhecimento, amor: caminhos da felicidade.

Em quaisquer etapas: sempre alteridade na erradicação do personalismo.

Hosanas às diferenças e aos diferentes!

Do Livro: Unidos pelo Amor - Ética e Cidadania à Luz dos Fundamentos Espíritas - Ditado pelos Espíritos Ermance Dufaux e Cícero Pereira - Psicografia de Wanderley S. de Oliveira- - Primeira Parte: Capítulo 15:

Ética da Alteridade

“Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa? Não procedem assim também os publicanos? Se apenas os vossos irmãos saudardes, que é o que com isso fazeis mais do que os outros? Não fazem outro tanto os pagãos?
( S. Mateus, Cap V, vv. 46 e 47)

O Evangelho Segundo o Espiritismo Cap XII – Item 1 -

A escola dos relacionamentos é o convite da vida para a vitória sobre o egoísmo. Viver é de todos, conviver é de poucos, e conviver bem é para quantos disponham encetar nova jornada ante a nossa condição de ”cidadãos do universo”.

Cada pessoa que passa pela nossa vida, ainda que superficial e circunstancialmente, é portadora de uma mensagem de vida para nós. Não existem relações casuais.

A boa convivência é quesito de qualidade de vida. Quem a experimenta sorri mais, tem melhor tônus muscular, forra-se de cansaço dos agastamentos, logra melhor nível de sono, vence facilmente a rotina, imuniza-se contra o tédio, amplia sua criatividade e vive na atmosfera da paz.

Livros desatualizam, eventos fecham ciclos, instituições extinguem-se e as tarefas são recursos didáticos, mas os relacionamentos perpetuam na consciência, são as únicas realidades plausíveis de todos o cosmo doutrinário, é a essência do espiritismo em nós.

Por isso, temos que aprofundar conceitos em torno da alteridade, no melhor encaminhamento das nossas questões de amor ao próximo, seja nas atividades educativas da doutrina, seja nas forjas disciplinadoras da sociedade.

Concebamos a alteridade, sem rigor técnico, como sendo a singularidade pertinente a cada criatura. Naturalmente, o conjunto das singularidades humanas estabelece a diversidade. Essa diversidade nos solicita, perante os sábios Códigos do Criador, uma ética nas relações que reflita os princípios de pluralidade natural para a harmonia e evolução.

Assinalemos, assim, de forma compreensível, que a “ética da alteridade” é a nossa capacidade de relativizarmo-nos perante as diferenças das quais os outros são portadores, convivendo em paz com nossos diferentes e suas diferenças, rendendo-lhes respeito e amor na forma como são e se expressam, nas suas particularidades.

Reconhecemos a melhoria das nossas condições pessoais através desse preito espontâneo de reverência, a quem quer que seja, sem que tenhamos que perder a identidade íntima, mantendo-a sempre resguardada pela definição de propósitos e coerência como características de criaturas espiritualmente saudáveis. Ética de alteridade não significa concordar com tudo ou aprovar tudo, ela não nos retira o senso de valor moral enobrecedor, pois nem toda alteridade está engajada nas sendas do bem. Por exemplo: algumas comunidades aferradas ao folclore manterão rituais ou festas que, para o progresso social, em nada cooperam objetivamente, trazendo algum benefício somente para aqueles que fazem culto a lendas e tradições. Nosso “dever alteritário”, contudo, é respeitar a diferença, buscar compreendê-la na atitude alheia e, quanto possível, buscar aprender algo sobre a “essência do outro” – uma razão profunda e Divina para aquele comportamento, algo “invisível aos olhos” como acentua o inspirado Antoine de Saint Exupéry.

Portanto, perante diferenças sociais, corporais, intelectuais ou de que natureza for, adotaremos a ética da alteridade e vivamos em paz.

Muitas pessoas nutrem um terrível vazio existencial porque querem existir mudando os outros, querem se realizar no outro, acham que têm todas as respostas para ele, querem “anular a diferença” alheia para se sentirem bem. Por isso é tão comum encontrarmos deficiência no próximo. Sempre achamos que se ele mudasse nisso ou naquilo tudo seria melhor e ele, inclusive, seria mais feliz. esse é o velho hábito da intromissão perniciosa nas desconhecidas terras do mundo da diversidade, que queremos moldar a gosto pessoal, talhando a igualdade como forma de encontrara fictícia solução para tudo que nos importuna ou contraria os interesses. Muitos conflitos nascem exatamente nesse ato de apropriação indevida da conduta e da forma de ser do próximo. Não sabendo considerar-lhe a singularidade, tentamos combater a diferença ou, o que é pior, adotamos a indiferença...

Pensemos urgentemente na construção da conduta de alteridade em nossas relações.

Prezemos as diferenças e honremo-las com a ética da fraternidade, esse o roteiro saudável proposto por Jesus em sua sábia interrogação: Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa?

Do Livro: Laços de Afeto – Caminhos do Amor na Convivência - Ditado pelos Espíritos Ermance Dufaux e Cícero Pereira - Psicografia de Wanderley S. de Oliveira - Parte II - Capítulo 3:

Amor e Alteridade

“As reuniões Espíritas oferecem grandíssimas vantagens, por permitirem que os que nelas tomam parte se esclareçam, mediante a permuta de idéias, pelas questões e observações que se façam, das quais todos aproveitam. Mas, para que produzam todos os frutos desejáveis, requerem condições especiais, que vamos examinar, porquanto erraria quem as comparasse às reuniões ordinárias.”

O Livro dos Médiuns – Cap XXIX - item 324

O episódio cristão da traição de Judas encerra infidáveis leituras e lições às nossas considerações.

Jesus sabia que o fato ocorreria, mas nem por isso tomou uma atitude excludente. Mesmo sabendo da diferente postura do apóstolo, manteve-se firme nos idéias de amá-lo incondicionalmente na sua peculiar diferença.

Isso é alteridade: o estabelecimento de uma relação de paz com os diferentes, a capacidade de conviver bem com a diferença da qual o “outro” é portador.

A ética da alteridade consiste basicamente em saber lidar com o “outro”, entendido aqui não apenas como o próximo ou outra pessoa, mas além disso, como o diferente, o oposto, o distinto, o incomum ao mundo dos nossos sentidos pessoais, o desigual, que na sua realidade deve ser respeitado como é e como está, sem indiferença ou descaso, repulsa ou exclusão, em razão de suas particularidades.

Alteridade, portanto, torna-se aprendizado urgente para o futuro de nosso Movimento Social Espírita, considerando o lamentável processo de exclusão que vem ocorrendo na surdina das fileiras de serviço cristão e espírita, em função de uma homogeneidade utópica.

Conviver com os contrários e aprender a amá-los na sua diversidade constitui desafio ético aos grupamentos espiritistas no campo da alteridade, mesmo porque o mastro da nova revelação cristã preconiza a fraternidade como postura de base para as relações pacíficas e mantenedoras do idealismo superior, em direção às clareiras de necessidades do homem do terceiro milênio.

A inclusão, em nome do Amor, é a ação moral para a nossa convivência, sem o que não faremos a dolorosa e imprescindível cirurgia de extirpação da egolatria, tão comum a todos nós – almas com pequenas aquisições nos valores essenciais da espiritualização.

Diferenças não são defeitos ou álibis para que decretemos o sectarismo e a indiferença, somente porque não compreendemos o papel dos diferentes na engrenagem da vida, executando uma “missão específica” que, quase sempre, só conseguiremos entender quando, decididamente, vencermos as etapas do processo de construção da alteridade.
Sem deixar de considerar as inúmeras variações que resultam das peculiaridades individuais, apresentemos algumas dessas etapas na caracterização do processo alteritário, tais como:

CONHECER A DIFERENÇA – é a fase de acolhimento do “outro”, despindo-se de preconceitos e “estereótipos éticos” pré-formulados, guardando abertura de afeto ao diferente e à sua diferença.

COMPREENDER A DIFERENÇA – criação de avaliações parciais, não definitivas, que favoreçam a análise desse “outro, buscando entender-lhe as razões, estudar-lhe os motivos até penetrarmos na essência de seu ”ser”, compreendendo-o pela apreensão do ”sentido” que ele tem para Deus, seu papel cooperativo no universo.

APRENDER COM A DIFERENÇA – é uma fase que une e permite acessibilidade mútua, receptividade aos sentidos do “outro”, propicia uma relação de aprendizado e o elastecimento de noções sobre como a diversidade do outro pode nos ensinar algo, buscando, se possível, aprender a amá-lo na sua particularidade.

Fácil concluir, portanto, que alteridade pode estar presente nos atos de solidariedade, empatia e respeito nas relações em sociedade, sem que, necessariamente, a Amor legitimo esteja na base de tais atitudes. Por outro lado o Amor é sempre rico de alteridade e não existe sem ela.

A faina doutrinária conduz-nos a contínuos relacionamentos com companheiros de entendimento diversos e, inclusive, oponentes como ocorre na vida social, embora não devam as reuniões espíritas tornarem-se assembléia ordinárias, aderindo a relação de insana competição ou de cruel indiferença.

O processo de alteridade será valioso nas interações entre companheiros de ideal e ocasionará, parafraseando o Codificador, “grandíssimas vantagens”. (....)

Do Livro: Unidos pelo Amor - Ética e Cidadania à Luz dos Fundamentos Espíritas - Ditado pelos Espíritos Ermance Dufaux e Cícero Pereira - Psicografia de Wanderley S. de Oliveira – Primeira Parte: Capítulo 11:

Tolerância ou Exclusão?

Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!” Mas, ai daquele que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão! Espírito de Verdade. (Paris, 1862)

O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap XX – Item 5.

Atendendo a generosa solicitação do jovem Pedro Helvécio, trabalhador de nosso plano nos serviços socorristas, endereçamos uma página de sua lavra inspirada para meditação:

“Dentre os ensinos de que mais carece o Espírito, a necessidade de respeito às diferenças do outro é das lições mais urgentes a se conquistar”.

“Nos serviços da causa espírita a que te empenhas, vezes sem conta serás chamado a conviver com os afins e contrários nas relações interpessoais. Nessa hora, se te afeiçoas à vivência da ética espírita-cristã, és convocado, naturalmente a selecionares o teor de tuas emoções com os que te partilham a tarefa”.

“Como te posicionar frente aos que assumem declarada oposição contra ti e tuas idéias? Como conviver harmoniosamente com os que pensam diferentemente de ti? Sentes que se definires pela tolerância, serás muita vez obrigado a abrir mão de tuas aspirações e permear por uma postura conivente. Se definires pela exclusão, colocando emocionalmente os menos afins na pauta das aversões e das incompatibilidades, tua consciência expedirá uma queixa sistemática ao teu sensível coração, clamando pela adoção da fraternidade”.

“Anseias por uma postura ideal, mas o raciocínio confunde-te frente ao desafio. Se toleras, és conivente. Se excluis, és sectário”.

“Na regra áurea do amor encontrarás o caminho ideal. Quando Jesus profere o fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem (1), Ele não estabelece uma conduta de compensações e troca. Sobretudo, o ensino do Mestre é um chamamento ao mergulho interior, no qual, através da empatia, avaliarás qual a carga emocional que gostarias de receber no lugar de teu próximo. Fazendo assim, perceberás de pronto que podes tolerar teus desafetos e amá-los ardentemente, sem subtrair-te aos teus anelos de serviço e projetos de ação, porque o que verdadeiramente importa é como te encontras intimamente em relações aos outros”.

“A tolerância não implica aceitação incondicional. Pelo contrário, a tolerância é atitude construtiva das condições para as boas relações que, por sua vez, dissolvem as espessas nuvens do malquerer. Podes ter divergências sem que essas, necessariamente, excitem a dissidência...”.

“A tolerância construtiva é aquela que gera as condições propícias, no íntimo e nos exterior, para que haja o respeito, a convivência pacífica e, até mesmo, a possibilidade da iniciativa conjunta”.

“Tolera sempre, sendo indulgente”.

“Tolera incondicionalmente, usando o perdão”.

“Tolera abnegadamente, guardando a paciência”.

“Tolera com fé, entregando ao tempo a solução de muitas adversidades”.

“Tolera compreendendo, pois cada pessoa tem seu patamar evolutivo”.

“Tolera orando, evitando os círculos mentais de baixo teor moral”.

“Tolera trabalhando. Ocupando a mente em idéias nobres não terás tempo a disputas inferiores”,

“Tolera aprendendo, buscando as lições sublimes do Cristianismo redivivo e medita nas tuas necessidades”.

“Tolera na discrição, abstendo-se de nomear pejorativamente pessoas e grupos”.

“Tolera na meditação, controlando o bulir dos sentimentos impetuosos que elaboram os raciocínio de desforra”.

“Faze tua parte na manutenção da tolerância construtiva e entrega-te a Deus fervorosamente, dele esperando as respostas justa que expressem Sua Vontade frente à tuas adversidades, no relacionamento com os companheiros de jornada, no aprendizado espiritual”.

“Tolerando, armas-te intimamente de recursos para o amor e, amando, serás sempre um instrumento de Deus na mão das circunstâncias que, no momento justo, chamar-te-ão à conciliação, ao entendimento a ao serviço de união”.

“A atitude de exclusão é das mais engenhosas manobras do orgulho. Basta que alguém discorde dos teus pontos comuns de entendimento para que inicie, nas profundezas do campo afetivo de teu ser, um processo de indisposição afetiva que, se não for coibido na origem, caminha para a aversão e, dessa, para os desaires da palavra e da atitude”.

“Defenda tuas idéias, crie teus projetos, mas jamais exclua do campo de teus melhores sentimentos quanto vos não partilham as idéias ou se indispõem contigo”.

“Cada ser dá o que pode e possui nas construções espirituais, e ninguém guarda consigo valores e conquistas suficientes para decretar sentenças condenatórias. Cada qual, conquanto tuas imperfeições, faz o melhor que pode em favor da causa. Compete a ti respeitar a todos, orar pelos que vos maltratam e seguir teu caminho, porque todos já têm uma sentença consciencial com a qual se defrontarão na vida dos “mortos vivos”. Não esqueças que assim como eles, também tu enfrentarás na “vida da verdade” o tribunal de tua consciência, a te perguntar: fizeste ao próximo o que gostaria que ele te fizesse?

“Respeite a todos, conquanto não tenhas que pensar por igual; todavia, exclusão, jamais.


(1) Lucas 6:31
Do Livro: Unidos pelo Amor - Ética e Cidadania à Luz dos Fundamentos Espíritas - Ditado pelos Espíritos Ermance Dufaux e Cícero Pereira - Psicografia de Wanderley S. de Oliveira - Primeira Parte: Cap. 17:
As Razões de Cada Um

“Para julgar-se a si mesmo, fora preciso que o homem pudesse ver seu interior num espelho, pudesse, de certo modo, transportar-se para fora de si próprio, considerar-se como outra pessoa (...)

Evangelho Segundo o Espiritismo Cap X – Item 10.

A subjetividade é um capítulo admirável da ética espírita quando enfocado sob o ângulo da formação de juízos morais.

As razões humanas para explicar as próprias atitudes são algo inerente à individualidade da cada ser. Mesmo os perversos encontram “motivos justos” para as suas ações, nas justificativas pertinentes a seus raciocínios egoístas.

Juízos éticos sempre serão subjetivos e, por isso mesmo, não constituem bons argumentos para fundamentação de defesas a medida e projetos que visem colaborar na restauração da reorganização de nossa Seara. Assinalar condutas morais de pessoas ou instituições, com base para propor mudanças, é fragilizar nossas disposição de cooperar, porque penetramos um campo essencialmente individual e inacessível. E mais a mais, julgar é concluir veredictos sobre o comportamento alheio, no qual, quase sempre, falhamos.

Juízes eminentes declaram sentenças injustas, conquanto se preparem para não fazê-las, e a maioria de nós, na rotina das relações, costumamos emitir sentenças e pareceres pelo hábito de criticar e analisar defeitos dos outros, sem qualquer sintonia com a verdade sobre tais pessoas, ou apenas analisando-as superficial e parcialmente.

O fato de cada individualidade ter suas razões é motivo com sobras para que respeitemos cada qual em seu patamar, o que não significa tenhamos que concordar e adotar passividade ante suas movimentações. Aqui penetramos em um dos mais delicados tópicos do relacionamento interpessoal, em nossos ambientes de reeducação espiritual: a convivência pacifica e construtivas frente à diversidade de opiniões, entendimentos e posturas, por parte daqueles que integram a comunidade nas lides doutrinárias.

A tendência marcante da nossa personalidade é estabelecer idéias pré-concebidas, expectativas mal dimensionadas e estereótipos sobre as ações alheias, e, mesmo quando nosso julgamento é pertinente, preferimos a referência mordaz e o destaque para a parte menos construtivas a ter que conjeturar, em clima de indulgência e misericórdia, sobre as motivações que ensejaram os comportamentos alheios.

Somos, comumente, escravos do nosso orgulho que procura defeitos nos outros para tentar fazer-nos melhor. Entretanto, o próximo é o espelho dos nossos valores e imperfeições, e, quando lhe destacamos uma deficiência, precisamos voltar-nos para a intimidade e descobrir nosso elo de atração com a questão em pauta; isso será um verdadeiro exercício de autodescobrimento.

A dificuldade consiste em redirecionar nosso milenar costume de ver o cisco no olho do outro e não perceber a trave no nosso (1).

Um bom princípio para a reeducação de nós mesmos será sempre o cultivo do sentimento de piedade e compreensão para com todos. Metalizarmo-nos, todos, em um só barco com a presença do Mestre conduzindo-nos pelas tempestades de nossas extensas carências espirituais, e jamais deixar de recordar que estamos em patamares variados de crescimento para Deus.

Isso exigir-nos-á o vinculo com a atitude de alteridade, ou seja, o reconhecimento da diferença, da distinção da qual o outro é portador, a fim de nutrirmos constante indução mental na formação do hábito de respeitar as diferenças no modo de ser de cada qual.

As defesas apaixonadas no campo dos julgamentos morais têm feito muito mal aos nossos ambientes de amor, nas leiras doutrinárias. Conquanto muitas vezes sejam verdadeiros, devemos aprender com Jesus, nosso guia e modelo, como externá-los para não ferir e conturbar. Saber apresentar discordâncias e falhas é uma arte da qual temos muito a aprender.

Lembremos o episódio inesquecível da mulher adúltera para termos uma noção lúcida sobre como se portar frente à verdade dos que nos cercam. Naquela oportunidade, Jesus não faltou com o corretivo e nem julgou-a; utilizando-se de um extraordinário recurso pedagógico, devolveu a subjetividade dos juízos à concordância de cada um através do pronunciamento atirem a primeira pedra os que se encontrem isentos do pecado, (2) e todos sabemos qual foi o efeito desse recurso na vida pessoal dos que ali se encontravam.

Nossa necessidade de guardar idéias, em forma de juízos definitivos e inflexíveis sobre as criaturas, é o fruto do nosso orgulho. Nossos julgamentos manetas pecam pela ausência de bons sentimentos, pela parcialidade e, acima de tudo, pelas projeções que fazemos de nós mesmos.

A dificuldade de aceitação das pessoas com elas são, enquadrando-as em concepções e padrões definidos pela nossa ótica de vida, precisa ser corrigida para ensejar um melhor nível de entendimento em nossa seara bendita. A inaceitação chega a ser tão ostensiva que nos magoamos com facilidade com as ações que não correspondem as nossas expectativas, ainda que tais ações não nos prejudiquem. Devido a essas expectativas que depositamos em pessoas e instituições, ocorrem muitas cobranças injustas e ofensas dilacerantes que só inspiram o revanchismo e a invigilância.

Esse não deveria ser o nosso clima. E como ficam os princípios imortais que deveriam esculpir o nosso caráter?

A maior decepção é aqui na “imortalidade”, quando somos todos convocados a novas concepções sobre fatos, pessoas, instituições e conceitos esposados ao longo de toda a nossa reencarnação. A imortalidade quase sempre traz-nos muitas surpresas nesse sentido.

A maioria delas de incômodos íntimos desagradáveis para quantos optaram por juízos éticos rigorosos, excludentes e intolerantes.

Não existe a presença da perversidade na seara, e, ainda que houvesse, deveria ser tratada como imaturidade emocional e moral. Em verdade, o que temos entre nós são necessidades extensas nos terrenos da melhoria espiritual, sendo necessário aos seguidores de Jesus e Kardec compreender que ninguém faz o que faz para magoar ou no intuito de denegrir. São hábitos arraigados contra os quais estamos em permanente batalha.

Virá o instante do entendimento, da complacência e da tolerância como veredas de esperança para um tempo melhor. A isso chamamos união e fraternidade. Nessa hora, quando assentamos à mesa dispostos a contemplar a diversidade do outro e dialogamos como irmãos de ideal, descobriremos, estupefatos, quão distantes da realidade se encontram nossos julgamentos, porque compreenderemos melhor quais eram as razões de cada um.

Do Livro: Unidos pelo Amor - Ética e Cidadania à Luz dos Fundamentos Espíritas - Ditado pelos Espíritos Ermance Dufaux e Cícero Pereira - Psicografia de Wanderley S. de Oliveira- Cap 4 – Primeira Parte:

Na construção de Grupos Sérios

Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ”

– O Espírito de Verdade –( Paris, 1860.) - Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap VI – Item 5
Junto às agremiações que assumem a tutela do Espiritismo-Cristão, devemos destacar como prioridade a construção de relacionamentos saudáveis, duradouros, e que promovam a lídima liberdade, exercendo o serviço e o aprendizado da construção de equipes que aprendam a se amar nas diferenças, obedecendo aos imperativos da diversidade.
Relacionamentos sinalizam para a tarefa lenta e progressiva do entendimento, da alteridade, do desculpar-se – atitudes de perseverante caridade de uns para com os outros na formação da convivência.
Convivência fraterna e cristã é o resultado sublime da “entrega afetiva” e do compartilhamento incondicional dos nobres ideais que preencherão de amor os corações em reeducação. Entretanto, semelhante obra das relações humanas reclama tecer, com o fio condutor da confiança, o manto acolhedor da amizade sincera – virtude das almas que creditam ao outro a hipoteca dos consórcios emocionais de profundidade, na fieira das realizações do tempo...
Esse manto protetor é o agasalho ante as intempéries da incerteza que costuma surgir nos descuidos da maledicência, do escrúpulo improdutivo e das obsessões intermitentes – resultado dos intercâmbios humanos superficiais de pessoas e grupos que não se permitem a proximidade e fixam-se nos “esconderijos emocionais”, com lamentável medo de amar.
Confiança é a concessão que espontaneamente creditamos uns aos outros em regime de fé. Brota na convivência e se fortalece na proporção em que, por essa partilha diária, tornamo-nos progressivamente mais credores desse elo afetivo, sob a tutela da autoridade moral.
Por outro lado, a dúvida é erva daninha, extenso e fértil campo para a sementeira da discórdia, da deserção, da inveja, do personalismo e da obsessão.
Laboremos por novos e mais auspiciosos dias em nossos encontros, teçamos a rede da confiança em nossos grupamentos de labor espiritual cultivando sinceridade com ternura, autoridade com exemplos contagiantes; que esse empreendimento seja de molde a incentivar e sustentar a psicosfera dos ambientes onde transitamos, exalando o clima que todos anseiam de dúlcida paz e alegria, de festa nos corações que aprenderam a amar Jesus.
Sem confiança não há união sustentável, e sem os pilares de união nenhuma edificação de valor consegue erguer-se por tempo necessário na obtenção dos melhores resultados.
Não basta, porém, a convivência amiga e agradável que pode derrapar no apego, na intimidade particularista, na ausência de limites educativos. Tornar-se imperiosa a formação de equipes que atendam a propósitos sérios, nutridos no desejo de instrução e melhoria. Sérios seriam os nobilitantes programas ajustados ao tratado de paz e aperfeiçoamento, glorificados pelo guia e modelo, contido nas diretrizes seguras da Boa Nova.
Jesus, líder incomparável, arregimentou os discípulos na construção do grupo amigo e fraterno e “deu-lhes poder” (1), ou seja, ajustou o centro indutor de seus sentimentos a vibrar em sintonia com a força Divina do Amor, ante os trâmites que a existência lhes apresentava.
Grupos amigos sim, mas, além disso, propósitos sérios que instruam, libertem e contribuam para o crescimento pessoal e grupal em direção à vida imortal.
Analisando os prismas da urgência em melhorarmos nossa vida interpessoal, compreendemos com mais precisão os motivos que têm levado muitos grupamentos de amor a permanecerem na esfera dos desejos valorosos, ou nos sonhos de ventura, tombando, quase sempre, na decepção e na descrença em razão do descompromisso de amar, primeiramente, o próximo mais próximo nos ambientes espiritistas.
Não foi sem razão a recomendação cristalina de Allan Kardec, quando orientou sobre as condições morais dos participantes dos grupos de nossa causa:
“Cordialidade recíproca entre os membros;”
“Um único desejo: o de se instruírem e melhorarem,(...)” (2)

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Amigo servidor de nossa lida doutrinária!

Afeiçoa-te ao clima de fraternidade, e não desista jamais de construir a harmonia e o vigor moral em tuas relações.

Se desistires, nunca encontrarás o trabalho pronto.

Se te preocupas que haja laços mais amáveis e cordialidade, é porque devem começar por ti.

Adianta e assume o denodo no qual a grande maioria tem abandonado.

Convivência no amor é fruto de superação pessoal na obra de renovação interior.

Postergar tal compromisso é o mesmo que adiar tua própria melhoria.

Feliz a advertência do senhor em concitar o amor ao próximo na justa medida do amor a si mesmo. É que teu convívio com o outro será o reflexo fiel de como vivemos contigo nas experiências da vida

Constrói teu grupo de amor e adiciona-lhes os propósitos elevados como garantia imorredoura de vitória e felicidade, na Terra e na “Vida dos Imortais”

(1) – Mateus, 10:1
(2) – Livro dos Médiuns – Cap. XXIX – Item 341

Textos que servirão de base para as reflexões a respeito do tema central:

Do Livro: Mereça Ser Feliz – Superando as Ilusões do Orgulho - Ditado Pelo Espírito Ermance Dufaux – Psicografia de Wanderley S. de Oliveira – Cap. 19 - Etapas da Alteridade.

Do Livro: Unidos pelo Amor - Ética e Cidadania à Luz dos Fundamentos Espíritas - Ditado pelos espíritos Ermance Dufaux e Cícero Pereira - Psicografia de Wanderley S. de Oliveira- - Primeira Parte: Cap. 15 - Ética da Alteridade.

Do Livro: Laços de Afeto – Caminhos do Amor na Convivência - Ditado pelos espíritos pelos espíritos pelos espíritos pelos espíritos pelos espíritos pelos espíritos pelos espíritos pelos espíritos Ermance Dufaux e Cícero Pereira - Psicografia de Wanderley S. de Oliveira - Parte II- Cap. 3 - Amor e Alteridade.

Do Livro Unidos pelo Amor - Ética e Cidadania à Luz dos Fundamentos Espíritas - Ditado pelos espíritos Ermance Dufaux e Cícero Pereira - Psicografia de Wanderley S. de Oliveira – Primeira Parte: Cap. 11 – Tolerância ou exclusão.

Do Livro: Unidos pelo Amor - Ética e Cidadania à Luz dos Fundamentos Espíritas - Ditado pelos espíritos Ermance Dufaux e Cícero Pereira - Psicografia de Wanderley S. de Oliveira - Primeira Parte: Cap. 17 - As Razões de Cada Um

Do Livro: Unidos pelo Amor - Ética e Cidadania à Luz dos Fundamentos Espíritas - Ditado pelos espíritos Ermance Dufaux e Cícero Pereira - Psicografia de Wanderley S. de Oliveira- Cap. 4 – Primeira Parte: Na Construção de Grupos Sérios
 


 

 

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